segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Doação de cabelo: A solidariedade acima da vaidade


 Os cabelos são a parte do corpo que a maioria das mulheres mais dá atenção, sempre buscando os melhores produtos, os cortes mais adequados e os tratamentos mais modernos. Toda essa vaidade existe porque os cabelos ajudam a desenhar o formato do rosto e, dependendo do tipo, podem deixar com uma aparência mais leve, mais jovem ou até mais magra.
   Por todas essas razões, perder os cabelos por causa de doenças autoimunes, de efeitos colaterais no tratamento contra o câncer ou mesmo por acidentes, mexe muito com a autoestima das mulheres. Além disso, quem é submetido a tratamentos médicos como a quimioterapia, tem que ter paciência para lidar com os enjoos, dificuldade para dormir e inúmeras outras alterações no organismo.
   Para ajudar quem perdeu os cabelos, algumas instituições beneficentes trabalham recebendo doações voluntárias de perucas que destinam a pacientes com câncer.
   E se os cabelos fazem bem para quem os recebe, o mesmo vale para quem os doa.  “Quando uma mulher perde os cabelos, uma parte de sua vaidade vai junto com a queda. Quando esta perda é causada pelo processo de quimioterapia, muitas vezes é a gota d’água para a paciente que já enfrenta uma longa batalha pela vida. Mais do que uma peruca - que vai junto com um lenço, maquiagem, livros e bijuterias, para dar um up na produção - nós entregamos carinho, amor, solidariedade na forma de presente. É o mesmo que estender a mão para alguém em um momento muito difícil. Isto faz toda a diferença para que as mulheres resgatem sua autoestima e sigam confiantes no tratamento”, afirma Marcelle Medeiros, presidente da Fundação Laço Rosa, no Rio de Janeiro.
   As redes sociais têm sido aliadas nesse tipo de ação. É através da internet que pessoas do mundo todo divulgam doações e estimulam que outras copiem a atitude. Há, inclusive, crianças mobilizadas em ajudar a causa.
   Em menos de um ano de existência, a Cabelegria, que faz doações de peruquinhas para crianças, já beneficiou cerca de 40 pacientes. Eles recebem em média de 2 a 4 mil doações por mês, mas são necessários muitos fios para fazer uma só peruca — por isso, na hora de doar, quanto mais cabelo, melhor.

 Conheça as principais regras para doação de cabelos:

 Homens também podem contribuir, assim como pacientes que começaram a fazer a quimioterapia e resolveram cortar todos os fios. As recomendações a seguir devem ser adotadas tanto por voluntários que optam por fazer o próprio corte quanto os que farão em salão:

• Os cabelos precisam ter, no mínimo, uma mão de comprimento (Cerca de dez centímetros). Para cabelos repicados ou em corte “V”, é aconselhado que o corte tenha, no mínimo, 15 centímetros;
• Ao contrário do que muitos dizem, não importa se o cabelo é quimicamente tratado (como escova progressiva ou permanente) ou tingido;
• Amarre em um rabo de cavalo antes de cortar;
• Nunca deixe os fios cortados tocarem o chão;
• Corte o cabelo seco, em sua forma natural (sem chapinha ou escova);
• Coloque em um saco plástico e envie ao endereço da instituição. Caso envie pelos Correios, deve ser usado um saco plástico e os fios precisam estar secos;
• Caso queira cortar no salão, avise previamente ao seu cabeleireiro que deseja doar e peça para que ele separe com um elástico a ponta da raiz.


   Não há restrição em relação à cor ou tipo de cabelo, mas, quanto mais natural, melhor. Fios muito descoloridos ou com dreads geralmente não são aceitos, pois a fragilidade deles impede que sejam presos à base da prótese de forma correta.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Oncofertilidade: Como ter filhos após o câncer

Construir uma família com filhos é algo desejado por muitas pessoas e estar fisicamente preparado para esse momento é fundamental. Diante de um tratamento oncológico (quimioterapia ou radioterapia), a preservação da fertilidade do paciente é algo muito importante a ser discutido e planejado com o médico.
 O diagnóstico da doença geralmente deflagra no paciente e, muitas vezes, também no seu (sua) parceiro (a), um quadro depressivo que compromete o raciocínio sequencial de cura, qualidade de vida após o tratamento e, consequentemente, a condição de poder gerar filhos. Um especialista em reprodução assistida poderá ajudar a entender como sua fertilidade pode ser afetada pós-tratamento e, com isso, planejar seu futuro reprodutivo.
   Preferencialmente, a preservação da fertilidade deve ser realizada antes do início do tratamento oncológico, levando em consideração a idade do paciente, o diagnóstico de câncer existente e a programação prevista.  O uso de quimioterápicos e/ou radioterápicos, independente da dose ou radiação utilizada, agride as células germinativas, responsáveis pela fertilidade, que estão nas gônadas (ovários e testículos).
   No caso de pacientes que já foram submetidos aos tratamentos oncológicos ou se encontram em vigência dos mesmos e que desejam ter filhos, recomenda-se uma avaliação com o especialista em Oncofertilidade, para que as melhores orientações e alternativas de tratamentos sejam reveladas.
   Entre as técnicas para a preservação da fertilidade estão: criopreservação de sêmen, embriões, óvulos, tecidos ovariano ou testicular, supressão da função ovariana e transposição ovariana. A escolha do método adequado deve ser feita em tempo hábil e sem prejudicar a saúde do paciente, pelo “expert”.
   Após o tratamento oncológico, a fertilidade é comprometida em 90% dos casos, podendo ser permanente ou temporária, a depender das doses e tipos de quimioterápicos, dos gramas de radioterapia utilizada, do tipo de câncer, dos órgãos comprometidos e, ainda, da resposta de cada indivíduo. Cuidar da fertilidade não é prejudicar ou adiar o tratamento oncológico, mas permitir que, após a cura, a possibilidade de ser mãe ou pai seja viável.

Oncofertilidade feminina

   As mulheres nascem com o número total de óvulos pré-determinados em seus ovários e, após a primeira menstruação, mensalmente, inúmeros folículos presentes no ovário são recrutados para determinar o folículo dominante que crescerá até atingir a maturidade e, então, ovular, enquanto os outros entram em atresia e degeneram. Esse ciclo naturalmente ocorre até que a mulher entre na menopausa e, então, esgote o número de folículos existentes. Os tratamentos quimioterápicos e radioterápicos “provocam” uma menopausa precoce, acelerando a atresia folicular e atingindo os folículos primordiais, causando infertilidade  nas pacientes tratadas , que poderá ser definitiva.
   Em média, a mulher leva entre 10 a 15 dias para preservar sua fertilidade, ao obter óvulos ou embriões, que serão criopreservados, através da técnica de criopreservação de óvulos ou embriões. O congelamento de embriões é uma técnica consagrada e muito utilizada para tentativas futuras de gestação. Além disso, há opção do congelamento de óvulos pela técnica de vitrificação.

Oncofertilidade masculina

 Nos homens, a produção de  espermatozoides é quase que renovada a cada três meses, devido à manutenção e diferenciação que ocorre nas células testiculares, presentes durante quase toda a vida do indivíduo, processo conhecido como espermatogênese. Porém, os tratamentos quimioterápicos e radioterápicos promovem a morte das células testiculares responsáveis pela espermatogênese, gerando infertilidade, também definitiva.
   Para a maioria dos homens, o tratamento é bem mais simples e, em até cinco dias, podem ser recolhidas e armazenadas duas ou três amostras de sêmen, que permitem uma excelente reserva reprodutiva. Em adultos o mais indicado é o congelamento de sêmen antes do começo da quimioterapia. Já nas crianças, como não há produção de sêmen, a única alternativa é a criopreservação de tecido testicular.

Dúvidas Frequentes

Fertilidade Masculina

1. Como e quando o paciente poderá saber se é fértil ou não após o término do tratamento?
Por volta de seis meses após o término do tratamento, o homem deve colher um espermograma que apresentará as informações necessárias relativas à concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides, informando sobre seu potencial fértil.

2. Se a fertilidade não for preservada, existem alternativas para que ele possa ter filhos futuramente?
Atualmente, existem alternativas medicamentosas que podem ajudar em um aprimoramento espermático, porém os resultados em homens afetados por quimioterapia e/ou radioterapia não são muito satisfatórios. Quando comprovada a morte das células germinativas, a alternativa existente é recorrer aos bancos de sêmen.

3. Se for realizado o congelamento do sêmen ou tecido testicular, existe uma data limite para serem utilizados?
Não, tanto o sêmen quanto o tecido testicular não apresentam tempo limite de congelamento, podendo ficar congelados por muitos anos, sem prejuízo.

Fertilidade Feminina

1. Mulheres com câncer de mama podem utilizar hormônios para induzir ovulação e congelar óvulos antes da quimioterapia?
Para mulheres com neoplasias que podem crescer com hormônios, são realizados alguns cuidados durante o estímulo, como o uso de medicação que baixa os níveis de estrogênio. Estas mulheres podem congelar seus óvulos sem repercussão para a doença.

2. Como e quando a paciente poderá saber se é fértil ou não após o término do tratamento? Existem testes para isso?
No caso das mulheres, o retrato da função ovariana é dado pela avaliação de testes de marcadores hormonais, como dosagem sanguínea do hormônio folículo estimulante (FSH), estradiol e hormônio Anti-Mulleriano (AMH), além de testes ultrassonográficos, como a mensuração do volume ovariano e a contagem de folículos antrais (AFC). O retorno das menstruações é visto como um bom sinal, mas não garante retorno da fertilidade.

3. Se a fertilidade não for preservada, quais são as alternativas para que a mulher possa ter filhos?
Caso a fertilidade não tenha sido preservada e a mulher tenha entrado em um quadro de insuficiência ovariana pela quimioterapia, pode-se tentar induzir a ovulação e, caso não haja boa resposta, recorrer ao programa de doação de óvulos.

4. Se houver falência ovariana (menopausa pelo tratamento), quais serão os sintomas? Existe tratamento para isso?
Os sintomas da menopausa incluem a ausência de menstruação, irritabilidade, insônia, secura vaginal, diminuição da libido e ondas de calor. O tratamento para quem deseja engravidar, nestes casos, é receber um óvulo doado.

Etapas do Programa

• Consulta com médico de reprodução humana especialista em oncologia, que determina a melhor tática de preservação da fertilidade para cada caso, após contato com oncologista clínico que trata a paciente;
• Realização de exames e indicação do protocolo a ser realizado;
• Coleta de óvulos, sêmen, retirada do tecido ovariano, entre outros;
• Retorno ao oncologista para início do tratamento oncológico.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Oncologia e Odontologia: Porque o cuidado com a saúde oral é indispensável para o tratamento

   A boca pode ser uma fonte rica em bactérias que são especialmente perigosas para quem vai iniciar o tratamento contra o câncer. A recomendação de fazer uma avaliação odontológica serve para todo paciente oncológico, não somente aqueles com tumores de cabeça e pescoço.


   Um dos fatores a serem avaliados é a presença de algum foco de infecção, que pode ser uma doença periodontal (que atinge a gengiva e todos os tecidos que dão suporte ao dente) ou cáries muito profundas. A consulta é de extrema importância, porque os pacientes que fazem uso de quimioterápicos ficam com o sistema imunológico mais debilitado, e a existência de uma doença periodontal, por exemplo, que o paciente nem sabia que tinha, poderá se agravar e resultar num grande problema, mas também, com leucemias e linfomas. Alguns dentes com mobilidade poderão ser removidos antes de iniciar o tratamento oncológico.

- Efeitos da quimioterapia 
   “Algumas drogas têm a capacidade de afetar a mucosa da boca, causando inflamações e feridas semelhantes a aftas, mas que são chamadas de mucosites, uma das complicações bucais mais comuns durante o tratamento oncológico. Muitas vezes o paciente está debilitado e  não consegue comer, porque sente muita dor. A mucosa é uma proteção, uma barreira protetora, e, quando temos a quebra dessa barreira, há maior chance de infecção por agentes oportunistas. Por isso, na fase de imunossupressão, elas têm maior probabilidade de acontecer”, adverte o dentista Luis Marcelo Sêneda.
   Uma das formas de prevenção da mucosite é a laserterapia de baixa intensidade. O laser é um bioestimulador que auxilia na redução do processo inflamatório, modula a dor e auxilia no processo de reparo do tecido lesado. É importante conversar com seu oncologista sobre essa possibilidade.

- Boca seca durante o tratamento
   Muitas vezes, o paciente em tratamento oncológico precisa tomar remédios para dor (opiáceos) e antidepressivos. Alguns ainda tomam outros medicamentos, porque possuem outras doenças associadas, como pressão alta, diabetes e doença renal. Por conta disso, é extremamente comum surgir um quadro de boca seca (xerostomia).
   “O meio bucal é concebido para estar úmido. Para aliviar esse ressecamento, existem lubrificantes orais que servem tanto para repor quanto para melhorar a lubrificação da boca. Eles estão disponíveis na forma de gel, spray ou manipulado. Além de lubrificante bucal, a saliva promove uma higienização natural nos dentes. O paciente com boca seca tem mais placas bacterianas, o que acumula mais agentes ofensivos e produz mais toxinas, aumentando o risco da mucosite.

- Efeitos da Radioterapia
   “Pacientes com câncer na região da cabeça e pescoço e que são submetidos à radioterapia precisam de cuidados maiores, porque produzem menos saliva. Além disso, como é justamente a região que inclui a boca a ser irradiada, há riscos de desenvolver um tipo de cárie com um efeito colateral tardio, denominada cárie de radiação. Atualmente você vê menos do que há alguns anos, por conta das radioterapias com intensidade modulada, mas ainda é preciso ter muita atenção. Esse tipo de cárie, que atinge a porção entre dentes e gengivas, se desenvolve muito rapidamente e há um enorme risco de o paciente acabar perdendo o dente.” 

Recomendações a serem seguidas durante o tratamento do câncer:

·         Escovar os dentes com pasta contendo flúor;
·         Passar fio dental suavemente;
·         Fazer gargarejos com bicarbonato de sódio;
·         Remover a dentadura e fazer sua limpeza adequadamente;
·         Escolher alimentos que exijam pouca ou nenhuma mastigação;

·         Evitar alimentos ácidos, picantes, salgados e secos.


segunda-feira, 6 de julho de 2015

Existe câncer de coração?

 Câncer e doenças cardíacas são responsáveis por grande parte das mortes no Brasil, mas são assuntos que quase nunca aparecem relacionados. Embora pouco conhecidos, os tumores cardíacos existem e quase sempre passam despercebidos até que o primeiro ecocardiograma de rotina os denuncie.
   Os tumores de coração podem ser primários, quando a origem é no próprio tecido do coração, ou secundários, quando resultam de metástase de algum outro câncer pré-existente.
   — O coração não é o alvo mais frequente de metástases. Pode acontecer em alguns casos em que a doença está mais avançada ou de alguns cânceres no rim e nos órgãos genitais, em que ele cresce pela veia cava — afirma o cirurgião cardiovascular Noedir Antônio Groppo Stolf, professor emérito da Faculdade de Medicina da USP.
   Diferentemente de outras cardiopatias, o tumor cardíaco não escolhe suas vítimas de acordo com a idade ou com os hábitos de vida.
   — Os metastáticos ocorrem mais em idosos, mas os primários podem acometer qualquer pessoa, especialmente adultos jovens — constata Stolf.
   O que não necessariamente é motivo de pânico: se o tumor for benigno e tiver localização fácil, como acontece na maioria dos casos, uma cirurgia quase sempre é suficiente para corrigir o problema, sem deixar sequelas.
   — O procedimento é curativo na maioria dos casos e uma recidiva não é comum. Se o tumor for maligno e reincidir, às vezes é necessário quimioterapia e radioterapia, mas o resultado não costuma ser bom — diz o especialista.
   Os sintomas vão desde falta de ar e perda da capacidade física até uma embolia ou um derrame, causados por um fragmento do tumor solto na circulação. Mas casos assintomáticos não são raros. O diagnóstico é feito por exames de imagem de rotina, pedidos normalmente em checapes, como o ecocardiograma e a tomografia computadorizada.

   O câncer de coração é extremamente raro - algo em torno de 0,001% a 0,3% de todas as neoplasias – e a maioria dos casos (75%) é do tipo benigno.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Fisioterapia Oncológica: conheça a importância da fisioterapia para o tratamento oncológico

   A Fisioterapia em Oncologia é uma especialidade que tem como objetivo preservar, manter, desenvolver e restaurar a integridade cinético-funcional de órgãos e sistemas do paciente, assim como prevenir os distúrbios causados pelo tratamento de câncer.
   A dor é uma das queixas mais frequentes do paciente, apontando a importância da fisioterapia em todas as etapas da doença. As diversas técnicas para analgesia são um ponto forte dessa atividade que é paramédica.
   A assistência do fisioterapeuta oncológico tem início no pré-operatório, visando ao preparo para esse procedimento e a redução de complicações. Durante o período de internação, o enfoque é global, prevenindo, minimizando e tratando complicações respiratórias, motoras e circulatórias. 
   Como a cirurgia de câncer não remove apenas o tumor, mas também os tecidos sadios adjacentes (visando a erradicar a permanência da doença residual, macro ou microscópica) a medida acarreta alterações sensitivas, motoras, vasculares e respiratórias, dependendo da região afetada.
   O especialista deve estar apto a desenvolver suas atividades com pessoas de todas as idades e situações (incluindo os casos em que a doença é irreversível), adaptando os programas fisioterapêuticos a cada contexto. Deve ainda saber lidar com as sequelas próprias do tratamento oncológico, atuando de forma preventiva para  minimizá-las.
   As indicações para assistência fisioterapêutica são determinadas de acordo com as disfunções causadas pelo tumor no paciente e pelos tipos de tratamento adotados.

   A radioterapia, tratamento adotado com exclusividade ou complementar a outros, pode acarretar fibrose (levando à restrição de movimento), edemas e disfunções ventilatórias, entre outras. Além disso, diversos tipos de quimioterápicos podem causar neuropatias periféricas, fibrose pulmonar e miocardiopatias e o uso prolongado de corticoides resultar em quadros de miopatia e osteoporose, e aí a fisioterapia também é benéfica.